Objetividade [ em jornalismo ] ?
Por Tiago Antunes
Muito se discute sobre objetividade. Uns dizem que ela existe e outros dizem que não, que é impossível obter imparcialidade. Fica a pergunta suspensa no ar. É possível a objetividade jornalística?
Surgida como traço principal do jornalismo nos anos 50, a objetividade tem função clara: separar sujeito (jornalista) e emoção do objeto (fato) a ser narrado. Isso quer dizer que, opinião e notícia são composições distintas. É possível, então, narrar a realidade sem interpretá-la? Para Cláudio Abramo (1988:117), separar o jornalista da humanidade é uma bobagem.
O jornalista é um ser dotado de sentimentos e sentidos. Traz consigo toda sua experiência profissional, vivência e perspectiva da realidade. Por isso, o conhecimento da realidade é sempre seletivo, perspectivo e construtivo (Liriam Sponholz, 2003). Isso quer dizer que não é possível noticiar tudo e, que também, o repórter irá ter que selecionar um enfoque para desenvolver sua matéria, que muitas vezes é o retrato da política do jornal em que trabalha. É desse pensamento que surge a crítica à objetividade e a hipótese de os jornalistas, meios de comunicação, governos e elites manipularem a verdade e distorcer a realidade. Ao certo não se sabe. Mas o que se vê é que o jornal, enquanto empresa, inserido em um contexto que visa expressamente o lucro e necessita sobreviver conquistando leitores todos os dias, lança mão da noticiabilidade (Lídia Lopes Ozório), cortes arbitrários no fluxo do mundo cotidiano, oferecendo uma fatia da realidade aos leitores. Fatia impregnada pela ideologia dos grupos que detêm o controle da imprensa jornalística.

Prática esta que vem perdendo espaço. Com a revolução das mídias e a difusão de informações on line, ter apenas uma fatia da realidade não alimenta a fome de quem procura a ‘verdade’. Traduzindo Popper, 1984, a objetividade absoluta não existe, o conhecimento (verdade) passa a ter um caráter hipotético, que sempre pode ser substituído por novas possibilidades que se aproximem melhor da realidade, enfim, não existe conhecimento (verdade) absolutamente seguro. Isso quer disser que, se o repórter relatar o que viu a partir de um ponto de vista não significa que o que ele conta é mentira ou invenção sua (Liriam Sponholz, 2003). Pode-se entender, então, que o melhor caminho para chegar à realidade seria através da concorrência entre diferentes versões da realidade. A sociedade cresce e se politiza, defender um determinado ponto de vista não condiz mais com as necessidades de um jornal que passa a ser organizado com empresa.
Por fim, ao falar de objetividade ouve-se veracidade, imparcialidade, precisão, clareza e exatidão. Princípios éticos condutores de um bom texto jornalístico. A não objetividade estaria, entretanto, ligada a paixão, emoções, palavras adjetivas que opinião e fundamentam determinada visão da realidade, que por vezes tendencionam os leitores a absorver uma única informação como a mais próxima da realidade. Então a objetividade em jornalismo deve ser entendida como a relação da realidade social e da realidade midiatica, como busca e aproximação da realidade. E objetividade jornalística como o conjunto de normas e regras para a observação da realidade, que tem como objetivo a produção de uma semelhança estrutural entre realidade social e midiatica. (Liriam Sponholz, 2003). É crível que se defina a objetividade como sendo fruto do distanciamento entre razão e a emoção?